Março de 2025

Mês de Março - Final da quina chuvosa no Estado de Goiás

          O mês de março é marcado como o final do período chuvoso propriamente dito no Estado de Goiás. Mas não significa interrupção imediata das chuvas, pois muitas vezes, elas se estendem até meados de abril. A quina chuvosa no Estado de Goiás vai de novembro a março. É nesta quina, que observamos fenômenos de escala maior influenciarem o período chuvoso. Estes fenômenos surgem ao longo deste período, e são responsáveis por chuvas intensas, trovoadas fortes, pancadas de chuva localizada de curta duração acompanhadas de ventania, às vezes granizo e fortes trovoadas (chamados temporais de formação convectiva de verão). Enumerando os fenômenos atmosféricos da quina chuvosa temos: A Zona Convergência do Atlântico Sul, Canais de umidade oriundos da região Amazônica, Alta da Bolívia, Complexos Convectivos de Mesoescala, as bordas ocidentais do VCAN, áreas de instabilidade e associação de frentes frias semi-estacionárias ao largo da costa do sudeste brasileiro. Neste período, a soma de precipitação no Estado de Goiás fica em média em torno de 1000 a 1200 mm. Na capital goiana a banda de chuvas da quina chuvosa gira em torno de 1000 a 1350 mm. O leste goiano tem precipitações ligeiramente menores que o oeste e sudoeste goiano. No passado, anos de 1950 a 1990, havia com mais frequência a ocorrência de mais dias com chuvas contínuas e com volumes mais bem distribuídos e significativos (ZCAS fortes e mais organizadas, umidade da Amazônia mais robusta). Com as mudanças climáticas e o desmatamento generalizado no Estado de Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Tocantins, entre outros, houve alteração nestes padrões climáticos, sendo consolidado nas observações pelos climatologistas. Goiás perdeu muito, e de forma substancial a presença destas chuvas contínuas de parte de novembro, dezembro e janeiro, bem como houve uma diminuição das nuvens de baixa altitude que amenizava a média das temperaturas e a umidade em baixos níveis da atmosfera.

Do ponto de vista das temperaturas, o período que compreende de novembro a março, os termômetros não marcam temperaturas muito elevadas como em setembro e outubro, devido à grande cobertura de nuvens. As noites tendem ser um pouco abafadas, com temperaturas mínimas, em média, variando entre 20 e 23ºC. As temperaturas de verão diminuem de fato a partir da última semana de abril. Também, é bom destacar que Goiás possui em alguns anos veranicos, ou seja, diminuição drástica da precipitação por um período de 7 dias consecutivos ou mais; em pleno período chuvoso. Nos anos que ocorrem o veranico, as temperaturas ficam acima da média a muito acima da média, provocadas por bloqueios atmosféricos. Os veranicos quando ocorriam antes de 1990 eram mais definidos e limitados (a exceção do ano de 1961). Nos últimos anos foram observados mais de um veranico por temporada chuvosa, prejudicando muito a agricultura e outros setores produtivos ligados ao clima.
            Com os indícios de mudanças climáticas, estão sendo observados ao longo dos últimos 30 anos um aumento na precipitação no mês de março em praticamente todo estado de Goiás, principalmente em Goiânia (precipitações oriundas de chuva intensa de curta duração - dando a impressão de que o mês em geral teve chuva regular ao longo do tempo). Se analisarmos o número de dias com chuva acima de 1 mm ou acima de 10 mm no mês, praticamente não houve alteração substancial. Março é marcado por grandes temporais de final de tarde e parte da noite, devido ao forte aquecimento diurno combinado com a alta umidade e a grande instabilidade em diversos níveis da atmosfera. Estas chuvas fortes têm-se transformado em precipitações intensas, em volumes de 50 até 100 mm em poucas horas (esporadicamente superam 100 mm em pontos bem localizados). Há anos que as precipitações são irregulares e mal distribuídas no tempo e no espaço. O pano de fundo de uma quina chuvosa, irregular ou de chuvas abaixo da normal, tem muito a ver com a climatologia dominante estabelecida no trimestre, semestre e ano. Nestas escalas de maior análise estão o ENSO, MJO, ZCIT, ZCAS, Anomalias no Atlântico, AAO e outras teleconexões climáticas.

O que esperar de MARÇO DE 2025 em Goiás?

             Do ponto de vista climatológico é um mês chuvoso em Goiás e Goiânia, devido as condições favoráveis de umidade, temperatura e convergência de massas de ar instáveis. Geralmente há muitos transtornos para os goianos e goianienses, devido às chuvas torrenciais que caem por causa das grandes formações de nuvens de caráter convectivo.

             Através da análise dos multimodelos mensais, março será marcado pela irregularidade das chuvas de forma espacial e temporal; há uma tendência de chuvas abaixo da média climatológica. O grande problema, neste ano em relação aos modelos climáticos, é que eles estão muito divergentes em relação ao mês, trazendo menor confiabilidade. Devido ao grau de confiança mais baixo destes modelos ou apontamentos climáticos contraditórios, há de se atentar para as previsões de curto prazo elaborada pelos Meteorologistas. As vezes comentamos nos prognósticos de prazo maior que pode ter chuva abaixo da média no Estado e temperaturas acima da média, e surgirem contradições com as ocorrências. Pois, não se deve deixar de descartar que podem ocorrer chuvas intensas e bem localizadas em pontos dos municipios goianos. Estas chuvas podem ser intensas e despejarem em algumas horas volumes altos podendo ultrapassar as previsões de escala maior pelo estado de Goiás. As saídas dos diversos modelos de janeiro eram mais convergentes, e apontando chuvas para os goianos abaixo da média ou períodos irregulares de chuva e um mês com temperatura acima da média climatológica.  
            Não se pode esquecer que o pano de fundo neste "final de verão" está sendo o enigmático e curto fenômeno La Niña que atuou meio que capenga, e sem muita definição no acoplamento oceano-atmosfera. A NOAA declarou a existência do fenômeno, com atuação de fraca a fraquíssima intensidade, enquanto o respeitado instituto BOM da Austrália não declarou a La Niña, e sim o seguimento de um Oceano Pacífico leste em condições de neutralidade. A tal La Niña que era certeira e fulminante a partir do segundo semestre de 2024, ficou só no alvoroço do furo midiático, profissionais desavisados e especulações no mundo econômico. 

O mês começou agora com perspectivas de pouca chuva na primeira e segunda semana em Goiás e Goiânia, de acordo com os modelos Europeus e GFS. Portanto, há um apontamento para um forte bloqueio atmosférico que poderá durar até quase o final da primeira quinzena. A segunda quinzena quando fecha o "verão goiano" há maior probabilidade de volumes de chuva mais significativos, mas com temperatura acima da média. Portanto, a primeira quinzena tem uma tendência para o padrão de pouca chuva, localizada ou chuvas escassas.

Segundo o prognóstico de médio prazo (20 dias): 1 a 10 de março - chuva entre 5 e 20 mm.                                                                        11 a 20 de março - chuva entre 40 e 60 mm.

Fonte: COLA

Média Climatológica do período: 120 a 180 mm no Estado de Goiás; previsto 45 a 80 mm no geral, sendo de forma mal distribuída. Em pontos isolados chegando a 100 mm, portanto não atingindo a média.


Elder Miranda Barreto 

Climatologista

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