Outono - Estado de Goiás - 2021
Outono 2021
As estações do ano no estado
de Goiás não são bem definidas, nem tão pouco são marcadas por características
à semelhança das regiões temperadas e subtropicais do planeta. Goiás está numa
região tropical, portanto está exposto aos raios solares com maior incidência em grande parte do ano.
O que faz diferenciar as estações do ano no Estado de Goiás e região Centro
Oeste é a divisão entre o período chuvoso e o período seco, bem como são
observados um período quente com temperaturas escaldantes e baixa umidade, e
outro período de menos calor, tendendo ao abafamento. Entre maio e final de
setembro as noites são mais frias e os dias quentes. Também nos meses mais
secos do ano podem ocorrer entradas de massas polares, provocando o fenômeno
friagem, principalmente nos Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e sul de
Goiás. Setembro e outubro são os meses mais quentes na região central do
Brasil (primavera).
O outono astronômico começou
com o equinócio de 20 de março de 2021, às 6:38 minutos, onde os raios solares
incidiram por igual os dois hemisférios. Em Goiás praticamente não se nota alguma
mudança climática significativa. O que ocorre, ainda na maior parte dos anos, é
a continuidade do verão prolongado, caracterizado por um clima quente e úmido.
Esta estação intermediária é
marcada pela gradativa transição do período chuvoso para o período seco. As
temperaturas mínimas tendem a declinar a partir de meados de abril. Podemos
observar que o outono goiano se limita a praticamente dois meses, ou seja,
abril e maio. Sendo que maio é o mês mais frio do outono, com diminuição
considerável das chuvas e temperaturas mínimas variando entre 14 e 16ºC no
centro-sul e leste do estado. Enquanto na porção mais ao norte e oeste os
termômetros ficam com mínimas em torno de 16 a 19ºC. Durante o dia, no estado
geralmente faz calor. tanto nos meses de abril e maio devido a diminuição
gradativa da nebulosidade e aumento da insolação. Portanto, durante a tarde as
temperaturas na maior parte das regiões goianas ficam em torno de 29 a 33º C.
Apenas o planalto central ou leste goiano que as temperaturas máximas raramente
ultrapassam 30 º C; ficando em média entre 26 e 30ºC.
Quanto ao final do mês de
abril, raramente observa-se atuação massas frias sobre o estado. Já no mês de
maio, a entrada de massas polares passageiras podem ocorrer, com alguma frequência.
Climatologicamente, são observados em certos anos, onde maio é mais frio, pois
a atuação de massas polares poder ser mais potentes, colocando o centro-sul do estado
com declínio acentuado de temperatura e ligeiro declínio na porção mais ao
norte. É bom afirmar que estas condições climáticas não ocorrem todos os anos.
Muitas vezes podem ser registrados abril e maio quentes ou amenos; sem extremos
de temperatura. Ressaltando: a tropicalidade é bem forte no estado e não
acompanha muitas vezes as incursões de massas frias advindas do sul e sudeste
do Brasil.
Quanto a pluviosidade. O mês
de abril é marcado pela diminuição das chuvas (média entre 90 e 120 mm). Geralmente essas chuvas ocorrem até o final da primeira
quinzena, passando ter chuvas bem pontuais ou escassas no restante do mês. Lembrando, já em alguns anos já foi observado abril chuvoso. É comum, as chuvas a
partir da segunda quinzena de abril, interromperem por completo. Quanto ao mês
de maio, o comportamento da chuva fica a mercê de frentes frias mais ativas, podendo ocasionalmente atingir o solo goiano. As maiores chances para ocorrência de
chuva, devido a passagens de frentes frias, estão no sudoeste goiano, às vezes no sul goiano. Portanto,
o mês de maio é considerado um mês seco. A climatologia aponta para média de
chuvas de 50 mm no sudoeste, enquanto no restante do estado a média fica em
torno de 30 mm. Raramente ultrapassam estes valores. É bom lembrarmos que já
registramos em algum ano anterior sem uma gota de chuva no mês de maio.
Em Goiânia tivemos uma
anomalia histórica no mês de abril 2015. As chuvas foram tão raras, que naquele
mês choveu em média 1 mm nas estações meteorológicas da cidade, enquanto para o
mês de abril a faixa média de chuva gira em torno de 100 a 130 mm na capital.
Os meses de abril e maio de
2021 ainda serão marcados pelo fenômeno final do LA NINA, resfriamento das águas do Pacífico.
Este fenômeno já está bem enfraquecido, com tendência de entrada na fase
neutra. A atmosfera responde ao comportamento dos oceanos posteriormente (entre
30 e 90 dias). Logo, o outono goiano ainda sofrerá influências indiretas deste
fenômeno. Lembramos que tanto EL NINO e LA NINA não impactam diretamente o
território goiano. As condições do Atlântico apontam nestes dois meses por
águas superficiais acima da média. Como o estado de Goiás é influenciado na
maior parte do ano pela massa de ar Tropical Atlântica, a tendência é para
termos temperaturas no geral entre a média climatológica e alguns períodos
acima da média. Estas condições devem se estabelecer devido ao verão mais
quente que o normal no estado e a irregularidade de chuvas nos meses de
novembro e dezembro de 2020 e janeiro de 2021, impactando em temperaturas mais
elevadas que o normal.
Um exemplo a ser dado: Goiás, em grande parte, teve o ultimo mês de fevereiro e março com chuvas acima da média, porém com irregularidade no tempo, devido maior
organização do corredor de umidade oriundo da Amazônia, trazendo maior
nebulosidade e diminuído de forma mais expressiva as temperaturas máximas, se
comparadas aos 4 meses anteriores. Adicionando condições mais favoráveis, houve
maior atuação indireta do fenômeno La NINA, até então não tinha dado as caras
pela região central do Brasil. Estes dois fenômenos (La Nina e El Nino) influenciam
muito na posição da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), bem como nos
episódios e força do corredor de umidade que é formado no final da primavera e
no verão.
Concluindo: Teremos os dois
meses que marcam o outono goiano com maior probabilidade de chuva ligeiramente
acima da média ou dentro da média climatológica, mas com irregularidades no tempo e no espaço. Quanto a temperatura, Goiás
terá o mês abril com marcas acima da média e maio de 2021 temperaturas dentro
da média climatológica. Os modelos climatológicos neste ano estão divergentes. Daí mais cautela na confiabilidade.
Por se tratar de uma transição
do fenômeno La Nina para condições de Neutralidade, será preciso fazer um
acompanhamento mais detalhado do tempo nestes dois meses. Enfim, está mais olho
no curto prazo (no máximo 15 dias adiante). Por isso, sempre analisar a
climatologia dos últimos 30 anos para notar se os modelos futuros climáticos
podem ou não está de acordo.
Elder Miranda Barreto
Climatologista
Abaixo os modelos climáticos possuem divergências
CFS









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